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Motos Mais Roubadas do Brasil: Existe Mesmo um Ranking Nacional?

Não existe ranking nacional oficial de motos mais roubadas por modelo. Veja o que os dados reais mostram: o Anuário de Segurança Pública nacional e o ranking detalhado de São Paulo (CEEC/FECAP).

Por Equipe Buscamoto

É comum ver listas prontas de "as motos mais roubadas do Brasil" circulando por aí, com ranking de modelo por modelo em nível nacional. O problema é que esse dado, com esse nível de detalhe, simplesmente não existe de forma oficial e nacional — o que existe de mais confiável é bem mais específico (e ainda assim, muito útil). Vamos separar o que é dado sólido do que é estimativa.

O dado nacional que existe de verdade: o Anuário Brasileiro de Segurança Pública

A fonte mais robusta sobre criminalidade veicular no Brasil é o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado anualmente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com base em registros oficiais dos estados. A edição mais recente, com dados de 2025, aponta 308.440 ocorrências de roubo e furto de veículos no país — uma queda de 14,3% em relação a 2024, sendo 104.491 roubos (com violência ou ameaça) e 203.949 furtos (sem contato direto).

Em número absoluto de ocorrências, os estados que mais aparecem são São Paulo (112.358 casos, 36% do total nacional), Rio de Janeiro (42.725), Minas Gerais (27.611), Pernambuco (18.704) e Bahia (16.715). Já em taxa proporcional (ocorrências a cada 100 mil veículos), quem lidera é o Rio de Janeiro, seguido por Pernambuco e Paraíba.

O detalhe importante: esse levantamento junta carro e moto no mesmo número, sem separar por tipo de veículo nem por modelo. Ou seja, dá pra saber com segurança em quais estados o roubo/furto de veículo é mais comum — mas não dá pra tirar dele um "ranking nacional das motos mais roubadas por modelo".

Por que não existe um ranking nacional por modelo de moto

O nível de detalhe "qual modelo de moto foi mais roubado" normalmente não sai dos boletins de ocorrência agregados por estado — ele vem de quem cruza essas ocorrências com a frota registrada, algo que exige uma base de dados própria. Esse tipo de cruzamento, hoje, é feito de forma consistente principalmente em São Paulo, pelo Centro de Estudos em Economia do Crime (CEEC) da FECAP, com apoio de dados de rastreamento veicular. Não existe um equivalente nacional publicado com a mesma frequência e metodologia — o que circula como "ranking nacional" em vários sites, muitas vezes, é uma extrapolação sem fonte primária clara.

O ranking mais confiável disponível: São Paulo, 1º quadrimestre de 2026

O levantamento do CEEC/FECAP, comparando janeiro-abril de 2026 com o mesmo período de 2025, mostrou queda de 19,5% no total geral de roubos e furtos de moto no estado (9.007 ocorrências, ante 11.187). Os modelos mais visados no período foram:

1. Honda CG 160 Fan — 1.352 ocorrências (queda de 27,5% em relação a 2025)
2. Honda CG 160 Titan — 965 ocorrências (alta de 14,2%)
3. Honda CG 160 Start — 639 ocorrências (queda de 12,9%)
4. Yamaha Fazer FZ25 — 228 ocorrências (queda de 29,0%)
5. Honda CB 300F Twister ABS — 195 ocorrências (alta de 87,5%)

A concentração segue nas regiões norte, sul e leste da capital paulista, com sinais de deslocamento da atividade criminosa para o interior e municípios vizinhos.

Por que a CG 160 lidera (e não é "azar" do modelo)

A CG 160, em suas variantes, é disparada a moto mais vendida do Brasil há anos — isso significa uma frota enorme circulando nas ruas, o que naturalmente aumenta a exposição ao crime, além de um mercado de peças de reposição aquecido, que torna o desmanche mais lucrativo. Não é que a CG seja "mais fácil de roubar" tecnicamente — é volume de frota e valor de revenda de peças que empurram esse tipo de moto pro topo de qualquer ranking regional.

Como se proteger, independente do modelo

Algumas medidas reduzem o risco de furto/roubo (e ajudam na recuperação, se acontecer): instalar rastreador com bloqueio remoto; usar trava de disco ou de guidão como camada extra, mesmo com alarme; evitar estacionar a moto em vias pouco movimentadas ou mal iluminadas por longos períodos; e, na hora de comprar uma moto usada, confirmar a situação da placa antes de fechar negócio — inclusive para descartar sinais de moto clonada ou chassi remarcado, comuns em motos de procedência duvidosa.

Resumindo

Não existe hoje um ranking nacional oficial e detalhado de motos mais roubadas por modelo — o dado nacional confiável (Anuário Brasileiro de Segurança Pública) mede veículos em geral, por estado, sem diferenciar carro de moto nem apontar modelo. O ranking por modelo mais robusto que existe é regional, de São Paulo, feito pelo CEEC/FECAP, e mostra a família CG 160 no topo — muito mais por ser a moto mais popular do país do que por ser tecnicamente mais vulnerável.

Perguntas frequentes

Existe um ranking oficial nacional das motos mais roubadas? Não, com esse nível de detalhe por modelo. O dado nacional oficial (Anuário Brasileiro de Segurança Pública) mede o total de veículos roubados/furtados por estado, sem separar por tipo de veículo ou modelo.

Por que a CG 160 sempre aparece em primeiro nesses rankings? Principalmente porque é a moto mais vendida do Brasil — mais unidades circulando significa mais exposição — somado a um mercado forte de peças de reposição.

Quais estados têm mais roubo/furto de veículo no Brasil? Em número absoluto, São Paulo lidera (36% do total nacional em 2025), seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia. Em taxa proporcional à frota, Rio de Janeiro, Pernambuco e Paraíba lideram.

Ter rastreador reduz mesmo o risco? Rastreador com bloqueio remoto não impede o roubo em si, mas aumenta muito a chance de recuperação e pode desestimular o crime em áreas monitoradas.

Como saber se uma moto usada que quero comprar já foi roubada? Uma consulta gratuita pela placa mostra a situação básica do veículo, incluindo ocorrência de roubo/furto, antes de você fechar negócio.

Vai comprar uma moto? Consulte a placa antes.

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