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SPVAT (Novo DPVAT) em 2026: Já é Lei ou Ainda é Só Projeto? Entenda a Confusão

SPVAT ou novo DPVAT: entenda por que ainda NÃO é lei em 2026, o histórico de idas e vindas desde 2024 (LC 207/24 e LC 211/24), o que já foi decidido no PL 1994/25 e como confirmar oficialmente quando isso mudar.

Por Equipe Buscamoto

Se você pesquisou "seguro obrigatório moto 2026" ou "DPVAT volta em 2026" recentemente, provavelmente encontrou dezenas de páginas afirmando que o pagamento já está valendo, com valores e prazos definidos. Isso não é verdade. Até a publicação deste post, o Brasil não tem nenhum seguro obrigatório de veículos em vigor — nem DPVAT, nem SPVAT, nem qualquer substituto. O que existe é um projeto de lei ainda em tramitação no Congresso, sem valor, sem data de início e sem garantia de que vai virar lei da forma como está hoje.

O que é o SPVAT e por que ele é confundido com "o novo DPVAT"

SPVAT é a sigla usada para o Seguro Obrigatório para Proteção de Vítimas de Acidentes de Trânsito — a proposta que tentou substituir o antigo DPVAT (extinto na prática desde 2021, com a cobrança suspensa). A ideia por trás dos dois é parecida: um seguro pago por todo proprietário de veículo, que indeniza vítimas de acidentes de trânsito (morte, invalidez permanente, despesas médicas), independentemente de quem causou o acidente. Por isso, é comum ver o SPVAT sendo chamado de "novo DPVAT" — mas juridicamente são coisas diferentes, com leis diferentes.

O DPVAT antigo: o que aconteceu com ele

O DPVAT original, criado em 1974, teve a cobrança zerada a partir de 2021 por decisão do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), depois de anos de escândalos envolvendo a Seguradora Líder (o consórcio que administrava o fundo) e sobras bilionárias de recursos não usados em indenização. Quem se envolveu em acidente depois disso ficou sem essa cobertura específica — e é esse vácuo que as propostas seguintes tentam preencher.

2024: a tentativa que durou menos de sete meses

Em maio de 2024, o Congresso aprovou e o presidente sancionou a Lei Complementar 207/2024, criando oficialmente o SPVAT como parte de um pacote fiscal (o projeto também liberava R$ 15,7 bilhões extras para o orçamento). Antes mesmo de sair do papel — a Susep, órgão regulador de seguros, chegou a preparar propostas regulatórias, mas nunca as levou à aprovação final —, a lei foi revogada pela Lei Complementar 211/2024, publicada em 31 de dezembro de 2024. Ou seja: o SPVAT nasceu e morreu no mesmo ano, sem que uma única cobrança chegasse a ser feita.

O que existe hoje: o PL 1994/2025, parado em comissão

A tentativa atual é o Projeto de Lei 1994/2025, de autoria do deputado Pedro Aihara. Segundo o Portal da Câmara dos Deputados, o projeto foi aprovado pela Comissão de Viação e Transportes em março de 2026 — só isso. Para virar lei, ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara e, depois, ser votado no Senado Federal. Não há previsão oficial de quando (ou se) essas etapas serão concluídas.

O texto propõe que a contratação do seguro seja condição obrigatória para emitir o licenciamento anual do veículo, com valores, coberturas e regras definidos posteriormente pelo próprio CNSP — ou seja, nem o projeto de lei traz um valor específico para carros ou motos. Qualquer número que você veja circulando (R$ 50, R$ 60, ou qualquer outra cifra) é estimativa de tentativas anteriores, não um valor oficial do projeto atual.

Por que tanta gente (inclusive sites de trânsito) está publicando o contrário

Boa parte da confusão vem de três fatores se misturando: a repetição de matérias antigas de 2024 (da época da LC 207/24, já revogada) sem atualização; o hábito de tratar "aprovado em comissão" como sinônimo de "virou lei", quando na verdade é só uma etapa intermediária da tramitação; e sites de conteúdo que republicam a mesma notícia com títulos cada vez mais afirmativos para gerar cliques. O resultado prático: é fácil achar página garantindo que o seguro "volta em 2026", com tabela de preço e tudo, sem nenhuma fonte oficial por trás.

Isso afeta especificamente motos?

O PL 1994/25, como está hoje, trata de veículos automotores em geral — não há, no texto disponível publicamente, nenhuma regra diferenciada para motocicletas. Historicamente, porém, o DPVAT sempre cobrou valores mais altos de motos do que de carros (a moto tem risco de acidente maior por ocupante), então é razoável esperar que, se um novo seguro obrigatório for aprovado, motos continuem pagando mais — mas isso é uma inferência baseada no histórico, não uma regra já definida.

O que já está garantido, mesmo sem o SPVAT valer

Enquanto isso não vira lei, o que continua valendo normalmente para quem tem moto em 2026:

  • Taxa de licenciamento anual — cobrada independentemente do SPVAT, é uma taxa separada

  • IPVA — segue as regras de cada estado (e, em São Paulo, motos até 180cc estão isentas em 2026)

  • Multas de trânsito — não têm nenhuma relação com o seguro obrigatório

  • Seguro de moto por conta própria (contratado com seguradora privada) — continua sendo opcional, e é o único tipo de cobertura disponível hoje além do seguro do próprio veículo

Como confirmar, na fonte, se isso mudou

Já que o cenário muda rápido e a maior parte do que circula na internet está desatualizada ou é especulação, as fontes mais confiáveis para acompanhar são o andamento do PL 1994/2025 no site da Câmara dos Deputados e as notícias oficiais do portal da Susep, órgão que vai regulamentar valores e coberturas se o projeto virar lei. Enquanto uma dessas duas fontes não confirmar sanção presidencial, qualquer afirmação de que "o seguro já está valendo" deve ser tratada com desconfiança.

Cuidado com golpes usando esse tipo de notícia

Sempre que um imposto ou seguro obrigatório vira notícia recorrente, aumentam as tentativas de golpe por WhatsApp, SMS e sites falsos cobrando "boletos" de seguros que ainda não existem oficialmente. Nunca pague nenhuma cobrança de "seguro obrigatório 2026" sem confirmar antes, no site oficial do Detran do seu estado ou da Sefaz, que ela realmente existe.

O que isso tem a ver com o histórico da sua moto

Independentemente do que acontecer com o SPVAT, débitos, gravames, multas e restrições da moto continuam sendo informações que valem a pena checar antes de comprar ou vender um veículo — e isso já está disponível hoje, sem depender de nenhum projeto de lei. Uma consulta gratuita pela placa mostra a situação atual do veículo, incluindo débitos e restrições já existentes.

Perguntas frequentes

O SPVAT ou o novo DPVAT já está sendo cobrado em 2026?
Não. Não existe nenhum seguro obrigatório de veículos em vigor no Brasil atualmente. O que existe é um projeto de lei (PL 1994/2025) ainda em tramitação, sem data definida para virar lei.

Vou precisar pagar algum seguro obrigatório pra licenciar minha moto em 2026?
Não, pelo menos não com base nesse projeto — ele ainda não é lei. O licenciamento de 2026 segue exigindo apenas a taxa de licenciamento normal e, quando aplicável, o IPVA do estado.

Qual é a diferença entre o DPVAT antigo e o SPVAT?
São leis diferentes. O DPVAT (Lei 6.194/74) teve a cobrança suspensa em 2021. O SPVAT foi criado pela Lei Complementar 207/2024 e revogado pela Lei Complementar 211/2024 no mesmo ano. O que está em discussão hoje é uma terceira tentativa, o PL 1994/2025, que ainda não tem nome oficial definido nem garantia de aprovação.

Quando esse novo seguro deve começar a valer, se for aprovado?
Não há data prevista. O projeto ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e depois pelo Senado antes de poder ser sancionado — e só depois disso teria uma data de vigência definida.

Onde posso confirmar se isso realmente virou lei?
As fontes mais confiáveis são o site da Câmara dos Deputados (acompanhando a tramitação do PL 1994/2025) e o portal da Susep, que seria o órgão responsável por regulamentar valores e coberturas caso o projeto seja sancionado.

Vai comprar uma moto? Consulte a placa antes.

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